Por mais estranho que possa parecer, nem todo mundo consegue sustentar a própria felicidade.Parece esquisito, não é? Mas isso acontece, e as razões podem ser variadas.
Imagine uma pessoa cujos pais não tiveram a oportunidade de estudar. Ao conquistar essa oportunidade, ela pode, inconscientemente, sentir que não a merece, porque isso desperta culpa.
Outro exemplo é o de alguém que, durante toda a infância e adolescência, ouviu frases como: “Você não vai dar certo na vida.” “Você faz tudo errado.” “Você não aprende as coisas.”
Essa pessoa cresce com uma autoimagem muito fragilizada. E, embora possa parecer simples para quem observa de fora, não é fácil se desvencilhar dessas crenças e passar a acreditar em si mesma como alguém capaz de crescer, realizar seus desejos e construir uma vida satisfatória.
Esses são apenas dois exemplos, entre tantos outros, de como o autoboicote pode se desenvolver. E, na maioria das vezes, isso não acontece de forma consciente.
Se perguntarmos a qualquer pessoa: “Você quer ser feliz?”, a resposta provavelmente será: “Claro que sim!” Então, por que isso nem sempre acontece?
Porque existem conteúdos inconscientes que influenciam nossos pensamentos, emoções e comportamentos. Freud chamou esse campo de inconsciente. Jung também descreveu aspectos inconscientes da personalidade por meio do conceito de sombra. Independentemente da abordagem teórica, o importante é compreender que aquilo que não conhecemos sobre nós mesmos pode continuar conduzindo nossas escolhas.
A transformação começa quando ampliamos a consciência sobre esses padrões. A partir daí, podemos tomar decisões diferentes e experimentar novos comportamentos.
E aqui entra um aspecto fascinante da neurociência: quando repetimos novos comportamentos, o cérebro fortalece as conexões neurais associadas a eles. Com o tempo, essas novas formas de pensar, sentir e agir tendem a se tornar mais naturais, graças à neuroplasticidade.
Mudar não acontece da noite para o dia. É um processo de autoconhecimento, consciência, decisão e prática.
A psicoterapia com um psicólogo pode ser uma grande aliada nessa caminhada, ajudando você a compreender sua história, ressignificar padrões e construir uma vida mais livre e coerente com quem você realmente é.
Talvez o problema não seja falta de capacidade. Talvez seja a repetição de uma história que nunca foi questionada. A boa notícia é que histórias podem ser ressignificadas.